Imagine se sentir mais preparado do que nunca para um desafio, mas, ao mesmo tempo, ter a certeza de que ele vai te atingir em cheio. Parece contraditório, não é? Pois essa é a realidade de boa parte dos líderes de segurança da informação (CISOs) ao redor do mundo, segundo um novo e revelador relatório da Proofpoint.
O estudo “2025 Voice of the CISO” conversou com 1.600 CISOs em 16 países e trouxe à tona uma dualidade impressionante: enquanto a confiança na cultura de cibersegurança das empresas cresceu, a sensação de vulnerabilidade a um ataque iminente disparou.
Vamos mergulhar nos números para entender esse cenário.
Confiança x Realidade: Um Alarme Soando Alto
A confiança está nas alturas: cerca de 67% dos CISOs globais acreditam ter uma cultura de segurança forte. É um número positivo, que mostra um trabalho contínuo de conscientização e investimento.
Aqui, o otimismo encontra um duro muro de realidade. Ao mesmo tempo, impressionantes 76% desses mesmos líderes acreditam que suas empresas sofrerão um ataque cibernético relevante nos próximos 12 meses. Pior: 36% consideram essa ameaça “altamente provável”.
Para se ter uma ideia do salto, no ano passado, esse índice de risco percebido era de 31%. O crescimento é um sinal claro de que a complexidade e a frequência das ameaças estão superando as defesas, gerando uma sensação real de que o perigo é inevitável.
Outros dados que acendem o alerta:
- Vazamento de dados explodiu: 66% das empresas reportaram perda de dados sensíveis no último ano, um aumento drástico em relação aos 46% de 2024.
- A sensação de despreparo aumentou: 58% dos CISOs se sentem despreparados para lidar com um ataque, contra 43% no ano anterior.
- O elo fraco da cadeia: Organizações que dependem de mais de três fornecedores críticos têm 2,7 vezes mais chances de sofrer um incidente originado na sua cadeia de suprimentos, aponta um relatório da Bitsight.
De Onde Vem o Perigo? Um Ataque de Múltiplas Frentes
Se antes se buscava uma “porta de entrada” principal, hoje a realidade é outra. A fortaleza digital é cercada por múltiplos pontos frágeis, e os ataques chegam de todos os lados, sem um vetor dominante. As maiores preocupações dos CISOs são:
- Fraude por e-mail (Phishing): 37%
- Ameaças internas (colaboradores mal-intencionados ou descuidados): 37%
- Ransomware: 36%
- Contas em nuvem comprometidas: 34%
- Malware e ataques à cadeia de suprimentos: 33% cada
Apesar do cenário assustador, a disposição para pagar resgates em caso de sequestro de dados (ransomware) continua alta. Cerca de 66% dos líderes admitem que pagariam para restaurar sistemas ou evitar vazamentos, um número que chega a 84% em países como Canadá e México.
A Dor de Cabeça da Dispersão de Dados na Era da IA
Com a popularização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa e LLMs, proteger a informação se tornou uma batalha ainda mais complexa. Os dados não estão mais centralizados; estão espalhados por inúmeros sistemas, aplicativos e dispositivos.
Dois terços (67%) dos CISOs afirmam que a governança da informação é uma prioridade máxima. Quase todos (98%) possuem programas de prevenção contra perda de dados (DLP). No entanto, a prática é bem diferente:
- Apenas 6% têm equipes dedicadas exclusivamente ao DLP.
- A maioria (61%) depende apenas da tecnologia, sem uma estrutura humana para dar o suporte necessário.
As consequências dessa fragilidade são concretas: perdas de dados resultaram em sanções regulatórias (34%), altos custos de recuperação (32%) e danos irreparáveis à reputação (31%). Um fator humano chama a atenção: 92% dos CISOs afirmaram que a saída de funcionários contribuiu para a perda de dados, um aumento significativo em relação aos 73% do ano anterior.
E o Brasil? A Realidade é Ainda Mais Intensa
Se o cenário global é preocupante, o Brasil vive uma tempestade perfeita. A percepção de risco e os incidentes reais cresceram de forma exponencial por aqui, aumentando a pressão sobre os ombros dos profissionais de segurança.
- Risco de ataque quase dobrou: Em 2025, 86% dos CISOs brasileiros creem que sua empresa sofrerá um ataque nos próximos 12 meses. Em 2024, eram 45%.
- Perda de dados mais que dobrou: No último ano, 85% das empresas brasileiras sofreram perda de dados sensíveis. Em 2024, esse número foi de 40%.
- O peso da responsabilidade: O temor de ser pessoalmente responsabilizado por um incidente de segurança atinge 69% dos CISOs no Brasil, um aumento considerável em relação aos 54% do ano anterior.
O recado é claro: a confiança na cultura de segurança é um passo importante, mas não pode gerar complacência. A realidade mostra que as ameaças são mais dinâmicas, agressivas e diversificadas do que nunca, exigindo vigilância constante, estratégias robustas e, acima de tudo, a consciência de que ninguém está 100% seguro., exigindo vigilância constante, estratégias robustas e, acima de tudo, a consciência de que ninguém está 100% seguro.

